A análise, possível pelo cruzamento de dados — uma das premissas do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), o Instituto Natura e a Gênero e Número —, evidencia a distância entre a violência vivenciada pelas mulheres e aquela que chega aos registros oficiais e, consequentemente, ao alcance das políticas públicas de proteção e acolhimento.
A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025, tem propósito semelhante: investigar o problema além das estatísticas oficiais do país. O levantamento ouviu 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil entre 16 de maio e 8 de julho de 2025. A pesquisa tem amostra probabilística e nível de confiança de 95%.
O levantamento realizado pelo DataSenado revela que 30% das pernambucanas já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. Entre essas mulheres, 17% afirmaram ter passado por esse tipo de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, realizada em 2025. Entre as mulheres que declararam ter sofrido violência provocada por um homem, 83% relataram violência física, 80% violência psicológica e 77% violência moral. Em 69% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão. Do total de vítimas no estado, 15% ainda convivem com a pessoa que as agrediu e, destas, 69% moram com o agressor.
Nas situações de violência mais grave, 55% das entrevistadas afirmaram que o agressor estava com ciúmes e 42% disseram que ele estava bêbado. Já para 81% das mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, a violência teve muita influência na decisão. O impacto no convívio com outras pessoas foi sentido por 67% das vítimas, enquanto 58% disseram que sua rotina diária foi afetada, 45% relataram impactos na vida profissional ou trabalho remunerado e 39% disseram que seus estudos foram impactados.
Das quase 29 milhões de mulheres que sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, 24,97 milhões de mulheres, cerca de 87%, relataram situações concretas de violência sem nomeá-las espontaneamente como violência. Quando se soma a esse grupo 1,87 milhão de mulheres que declararam ter sofrido violência, mas não acionaram a delegacia, o Ligue 180 ou o 190, chega-se a 26,84 milhões de brasileiras, ou 93,6% das vítimas na lacuna entre a violência vivenciada e a busca por proteção policial.

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