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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Timidez: não precisa se envergonhar

Por Altamir Pinheiro

O  jornalista e radialista Aurimar Ferreira que além de um  excelente repórter de rua,  também faz locução e apresenta  programas na Rádio Difusora de Garanhuns, nos brindará no mês que vem com o lançamento já em sua 3ª edição do livro “TIMIDEZ NÃO A DEIXE FALAR POR VOCÊ”, que conta as causas da timidez e como vencê-la. Tô com muita curiosidade em saber se o jornalista escritor debulha ou troca em miúdos a emblemática frase do filósofo francês  Paul Valéry  quando afirma que “ A ignorância oscila entre a extrema OUSADIA e a extrema TIMIDEZ”... Vou lê-lo para tirar minha dúvida ou matar minha curiosidade.

Há “filósofos de botequim” que costumam afirmar que os grandes  escritores e poetas  da humanidade optaram ou fizeram fluir a arte do seu talento através da escrita pela   sua exagerada    timidez, por não saber falar, pelas dificuldades de encarar a verdade enquanto as palavras  fugiam ou  embaralhavam em sua mente. Há muitos que ainda acreditam que começaram a escrever pela covardia de abrir a boca. Em termos de Brasil, o poeta Carlos Drummond de Andrade era o campeão da timidez. Já no campo internacional,  o troféu pertence ao  premiado cineasta, roteirista, escritor, ator e músico norte-americano o oitentão em plena forma, Woody Allen.

Todos hão de convir, que os tímidos que aprendem a lidar com os próprios limites descobrem que têm uma poderosa arma secreta que é o seu talento que está, muitas vezes embutido. Até porque, timidez não é sinônimo de fracasso. Eis alguns exemplos de tímidos que, apesar das próprias dificuldades, souberam usar seu potencial e provar seu talento, como é o caso de NARA LEÃO com sua voz pequena e delicada, a tímida musa da Bossa Nova deixou o banquinho e o violão quando conheceu o sucesso popular cantando em um famoso festival de MPB da TV Record, A Banda. E o que dizer de MILTON NASCIMENTO, pois desde o início de sua carreira, quando ficou nacionalmente conhecido com a canção Travessia, o cantor mineiro carregou e carrega ainda hoje a fama de tímido incorrigível.

Está claro que a timidez não é um empecilho para o sucesso, a prova é tanta que, frequentemente a timidez e a ansiedade têm suas compensações. Eis os casos específicos dos fatos opostos ou discordantes de um ser  TÍMIDO  e o outro  EXTROVERTIDO:  enquanto animais mais corajosos podem ter mais parceiros para acasalar e mais comida, os tímidos, relegados a segundo plano, CONSEGUEM EVITAR SEREM ATACADOS - nos dois casos, trata-se de estratégias evolucionárias bem-sucedidas. Quer dizer, o troço é muito relativo...

Agora, há casos que a timidez extrapola o relativismo, senão vejamos esta passagem ora descrita: nos  contam os jornais da época que   em 1958, convidada para uma festa em um luxuoso hotel de Londres para comemorar o sucesso de sua peça A RATOEIRA, Agatha Christie foi barrada por um porteiro que não a reconheceu. Em vez de dá-lhe uma carteirada ou  mandar o clássico "Você sabe quem eu sou?", ela humildemente se virou e foi se sentar sozinha lá em um  banco do amplo salão. Apesar de ser a escritora que mais vendia livros na época, ela ainda se sentia paralisada por "uma timidez cruel, horrível e inevitável".

Pois bem!!! No meu relativismo simplista vejo a  timidez  como  uma doença não transmissível, mas sem cura que vive incrustada  nas pessoas que transmitem seus conhecimentos  na política, na literatura,  no jornalismo, na psicologia e no escambau a quatro. Há quem afirme que a timidez é expressa e avaliada em várias culturas. Enquanto em países como a Finlândia ou Noruega, por exemplo, a timidez tem uma conotação mais positiva por evocar a ideia de MODÉSTIA, em outros, como os Estados Unidos, a timidez pode agora ser diagnosticada como um DISTÚRBIO PSIQUIÁTRICO.

Há casos, como define  o psicólogo  Cláudio Fragata, donde rapaz ou adolescente que a timidez anda num grau tão elevado que ele quando desemboca em determinados ambientes nunca sabe onde colocar as mãos. Como não consegue encarar ninguém  olhos nos olhos, está sempre de cabeça baixa, olhando para o chão. Falar em público, nem pensar: a voz desaparece, as mãos tremem, as pernas ficam bambas. Na sala de aula, permanece mudo e jamais expõe suas ideias. Mas pior mesmo é quando tem que pedir uma garota em namoro. Na hora H, começa a gaguejar e não lembra de nada do que ficou ensaiando para dizer. Volta para casa sem graça, morrendo de vergonha e,  sem namorada...

Há moçoila que  tem horror a festas, principalmente se tiver música para dançar. Só vai em último caso, quando não dá mesmo para arrumar uma desculpa, e ainda assim levando uma amiga a tiracolo. Sozinha, jamais!!! Se alguém vem falar com ela ou tirá-la para dançar, fica vermelha, o coração dispara e deseja que o chão se abra para que possa desaparecer. Prefere ficar quieta, pelos cantos, tapeando ou  procurando  se camuflar nas mesas e tamboretes do ambiente,  até encontrar uma oportunidade para  “zarpar” à francesa, sem ser vista por ninguém. Agora, de uma coisa ninguém pode negar ou correr: geralmente,  toda timidez é formada pelo DESEJO de agradar e pelo MEDO de não o conseguir. Pense num  bichinho complicado que é tal da TIMIDEZ. Não dá para entender. Nem Freud explica, quanto mais Sherlock Holmes. Timidez é assim mesmo, doença que não tem cura.  E o resto é silêncio, como diria Érico Veríssimo...

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