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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Em Brasília, políticos buscam mulheres em sites de prostituição de luxo, mas temem ser filmados.

O alto poder aquisitivo e a proximidade com o poder fazem de Brasília um movimentado mercado de prostituição de luxo. Políticos, empresários e lobistas que passam pela capital federal e se interessam pelo serviço seguem um ritual discreto para viabilizar os encontros com as profissionais do sexo.

Toda a negociação é conduzida por assessores, que encontram as garotas em sites especializados na internet, semelhantes àquele em que Elize Matsunaga, a ex-prostituta que confessou ter matado e esquartejado o marido, anunciava ser uma “loirinha carinhosa”.

São os próprios assessores que buscam as garotas de programa em casa e ficam responsáveis pelo pagamento. Para os encontros, o local  preferido dos que moram ou passam parte da semana em Brasília são os flats ou apartamentos pessoais, muitas vezes funcionais. No caso dos flats, as meninas costumam deixar as bolsas na recepção, já que os clientes temem ser filmados por câmeras ou celulares.

De acordo com Flávia*, a orientação de não levar bolsa é dada assim que chegam ao local combinado. A profissional de 22 anos prefere os políticos porque eles pagam cachês maiores.

— Alguns pagam mensalmente as garotas, dão presentes, viagens e pedem até para que elas saiam do site para aumentar a discrição, ou por ciúme mesmo.

De modo geral, as garotas ganham de R$ 200 a R$ 400 por hora, dependendo do lugar do encontro. Mas esse valor pode chegar até a mais de R$ 2.000, incluindo as gorjetas.

Luna Minitop, de 32 anos, cobra R$ 250 por uma hora e meia, se atender em casa, e R$ 400 se o programa for em hotéis. Com a faculdade de Psicologia trancada, trabalha como prostituta desde 2009 e atende políticos e assessores.

Ela diz que geralmente eles não se identificam quando marcam o encontro. Elas só ficam sabendo quem é o cliente quando chegam à suíte do hotel ou flat.

— Às vezes quando dizem o endereço, o número da quadra, a gente já sabe que é político.

Ela se refere às quadras onde ficam os apartamentos funcionais dos políticos que moram em Brasília. Luna, porém, prefere receber os clientes em casa, um apartamento em um prédio sem porteiro na Asa Norte, bairro nobre de Brasília.

A garota de programa já teve um caso de quatro meses com um político do Rio Grande do Norte, mas disse que nunca recebeu o pedido para tirar o seu perfil nos sites da internet.

— Nunca apareceu ninguém querendo pagar R$ 27 mil para tirar minhas fotos do ar.

Os “27 mil” são uma referência ao valor que o empresário da Yoki assassinado pela mulher, Marcos Kitano Matsunaga, teria pago por mês à amante, garota de programa, para que ela retirasse as fotos do site de acompanhantes.

Luna Minitop está em sites especializados porque considera que eles funcionam como vitrine para os clientes. E, desde o ano passado, possui também um blog pessoal de divulgação do trabalho. A ideia do blog surgiu quando Luna percebeu que essa era uma forma de aumentar o número e o “nível” dos clientes.

*Nome fictício
R7

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