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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Histórias de Capoeiras: Agostinho Fuba

Por Junior Almeida

A Praça João Borrego é a principal via da cidade de Capoeiras, é o centro da cidade. Quem empresta seu nome a ela João Alves de Siqueira, ou simplesmente João Borrego, que foi chefe político da localidade por muitos anos e falecido no início dos anos sessenta.

Potentado fazendeiro e comerciante, “Seu” João tinha na década de trinta e quarenta uma loja no centro da então vila de Capoeiras, que era uma espécie de shopping Center matuto. A “Casas Borrego” vendia de um tudo. Desde produtos para o campo como estrovengas, pás, picaretas, enxadas, arame, farelo, grampo, como remédios, chapéus, móveis, rádios, armas, carrego de espingarda e tecidos.

Naquela época vinha gente de Garanhuns, São Bento do Una, Caetés, Venturosa, Pesqueira e outras cidades da região para comprar na Casas Borrego. O interessante desse tempo é que algumas pessoas compravam e só pagavam um ano depois. Faziam uma compra e deixavam outra na caderneta. João Borrego era tão forte, financeiramente falando, que bancava o fiado de alguns fregueses por um ano.

Um frequentador assíduo da loja de João Borrego era um sujeito que morava no município Caetés, de nome “Agostinho Fuba”. Agostinho sempre que podia “dava expediente” no comércio de Seu João, mesmo sem ser funcionário ou cliente. O cabra era um pobre coitado, pobre de “marré deci”, mirradinho e "pixototinho", que só vendo. Sua altura era pouco mais de um metro e meio e não era muito bom do juízo; assim como sua irmã, Caetana, essa doida de pedra. Aliás, Caetana era uma criatura de fazer medo a menino, pois enchia seus despenteados cabelos de pontas de cigarros e palitos de fósforos riscados que a transformavam numa figura assustadora.

Pois bem, “Seu” João aproveitava a presença do bobo Agostinho Fuba, e com pequenos agrados transformava-o numa atração de seu comércio. Pegava algumas grandes e caixas de madeira, que vinham embalando os chapéus e fazia uma espécie de palco, onde Agostinho cantava para a diversão dos clientes, entoando alguns versos da tola canção:
“Baibuleta” não é ave,
“Baibuleta” ave é
“Baibuleta só é ave
Na cabeça das “muié”...

Junior Almeida e autor do livro: "A Volta do Rei do Cangaço". Ele reside na cidade de Capoeiras - PE, onde é comerciante. 
O texto foi compartilhado numa rede social. Trata-se da história "causo" envolvendo antigos moradores do município. Na foto, o busto em bronze de João Borrego, na praça que tem seu nome.

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